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Domingo, 7 de Junho de 2009

Maria de Pia

Maria era ela. Simplesmente Maria.

Tinha vários sonhos, vários desejos, poucos pensamentos.

Mas no momento, o que ela mais queria, era uma televisão na cozinha.

Passava horas e horas sonhando com uma televisão na cozinha, mesmo já tendo uma na sala.

É que Maria não passava muito tempo na sala, pois tinha que cozinhar, passar, limpar a casa, lavar a louça...

Era um ciclo sem fim.

Todo dia Maria e os afazeres domésticos.

Mas hoje seria um dia diferente, pois Maria compraria a televisão para por na sua cozinha. Provavelmente em cima da geladeira, pois não estava com dinheiro suficiente para fazer um suporte de parede.

E então lá foi Maria, com o dinheiro da primeira prestação no bolso e um sorriso no rosto.

Mal podia esperar para assistir "tv" enquanto cozinhava, lavava, passava.

Em sua cabeça era como se ela estivesse se conectando ao mundo e sendo cidadã ativa dos acontecimentos globais; acompanhando todos os jornais, novelas, e a vida das celebridades.

Porém Maria continuou sendo simplesmente Maria. Lavando, passando, cozinhando.

E a televisão em cima de sua geladeira só serviu para consolidar cada dia mais o lugar de Maria, como uma algema imaginária presa nos seus pulsos, com momentâneas fugas da realidade.

Maria era ela. Simplesmente Maria e sua televisão.

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Lenon Mendes às [17:45]
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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Algumas coisas custam mais do que você possa perceber.

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Lenon Mendes às [17:07]
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Parte de Nada.

Não querem que você leia um livro,

Que você ouça música sozinho,

Que caminhe sozinho,

Que pense sozinho.

Pois assim você irá se auto conhecer.

E pessoas que possuem um maior conhecimento de sí próprias não são tão fáceis de encaixar na produção em massa.

Imagine só: como produzir em massa para pessoas que possuem gostos diferentes?

e com essa filosofia você acaba sendo apenas parte de um todo.

De um todo que vai ao cinema assistir filmes de Hollywood, que vai ao estádio assistir jogos de futebol, que vai a shows sertanejos e a redes de lanchonetes mundiais.

Você é simplesmente parte de um todo que "dá" lucro garantido.

Você é a causa da crise, do desmatamento, do aquecimento global, do desemprego, da fome, das guerras, da violência.

Você é a engrenagem que move o sistema, que cria a alienação, que transporta o sofrimento.

E suas atitudes estão levando o nosso mundo ao abismo, enquanto você continua sendo apenas parte de um todo.

De um todo que não é nada, que não sabe nada e que obedece cegamente a tudo.

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Lenon Mendes às [17:04]
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Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

A história do meu senso

Já fiz o certo, o errado. Me arrependi de ter feito o certo e também o errado

Comi a vida, me senti um lixo. Comi o que traz a vida, me senti um luxo.

Entendi as pessoas, entendi o mundo, não entendi mais nada.

Busquei o certo, me perdi no caminho, me encontrei no errado e aprendi mais do que se estivesse indo para o certo.

Ouvi os outros, ouvi meu coração e então parei de ouvir os outros.

Tremi de frio, suei frio e senti o coração frio das pessoas.

Ouvi risos, choros e o silêncio. Sem dúvida o silêncio sempre me agrada.

Corri pela chuva, pelo sol, pelas árvores e enfim fui correr atrás dos meus sonhos.

Acreditei, duvidei e por fim acreditei de uma maneira diferente.

Dormi na cama, dormi no chão e desmontei a cama.

Olhei nos olhos, olhei na roupa. Os olhos foram tão vazios quanto a roupa.

Senti dúvida, senti esperança. Preferi sentir os dois.

Pensei em mudar. Mudei. Pensei em mudar de novo. Mudei.

Olhei vitrines, olhei o nada. Olhei o verde, olhei a vida.

Fui manipulado, acreditei que não era. Mas deu tudo errado.

Hoje sou eu mesmo, sendo eu mesmo, enquanto quiser ser.

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Lenon Mendes às [18:16]
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Domingo, 17 de Maio de 2009

Ainda há esperança

Sempre tive dúvidas com relação ao futuro da nossa sociedade e o futuro mais óbvio que eu conseguia imaginar era a auto destruição. Provavelmente por uma guerra, ou pela destruição do planeta gerada pelo consumo inconsequente.

Mas esta semana eu pude ver que ainda há esperança e que não se deve generalizar os problemas sociais para toda a sociedade, pois algumas pessoas estão abertas a novas ideias e a mudanças.

Estava participando de um protesto contra os rodeios e os maus tratos aos animais nas duas maiores universidades de Maringá, através da Sociedade de Vegetarianismo do Norte do Paraná, e no início da manifestação já estava ciente do que poderia acontecer, com relação as prováveis reprovações dos universitários, principalmente por o rodeio aqui em Maringá ter como público alvo os mesmos. Porém, ao contrário do que imaginei os universitários tiveram uma aceitação muito boa à nossa manifestação, inclusive em uma faculdade particular.

Vários jovens elogiaram o nosso protesto e deram os seus parabéns a nossa atitude, e ainda tiveram aqueles que pararam para saber mais sobre o que estávamos fazendo e sobre a nossa sociedade.

Eu simplesmente achei o máximo, pois não estava esperando uma aceitação tão grande.

Se tivéssemos feito uma estatística nos locais, sem dúvida de 70% a 80% do universitários seriam contra os rodeios.

Mas então surge o questionamento: se eles são contra, porque participam desta festa dos horrores?

Provavelmente porque falta informação e principalmente exemplos a seguir, assim como acontece com as bebidas alcoólicas, que por mais que as pessoas saibam dos seus efeitos elas não param de consumi-las porque se sentem sozinhas e isoladas dos outros, mas quando vão em uma festa onde não possuem bebidas alcoólicas elas se divertem e nem sentem falta destas.

Com relação aos rodeios acontece a mesma coisa. As pessoas não gostam de rodeio e preferem estar em outro lugar, desde que seus amigos estivessem lá.

Mas mudar de opinião sozinho não é nada fácil. É bem melhor quando temos alguém que nos entende para compartilharmos nossas dúvidas e problemas.

É por isso que eu continuo seguindo os meus ideais, pois assim estou encontrando pessoas que desejam mudar, mas se sentem sozinhas para tomar um novo rumo. E quem sabe um dia chegaremos a um ponto onde os vários sozinhos se tornarão maioria, formando uma sociedade consciente e tolerável.

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Lenon Mendes às [13:48]
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Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Utopia, até que se prove o contrário

Eu realmente acho linda a utopia. Um caminho totalmente ideológico, com infinitas incógnitas e variáveis, das quais é quase impossível se tirar alguma conclusão imediata e precipitada.

Mas o que mais me empolga é sabe que tudo o que somos e o que temos são originados de utopias. A eletricidade, o avião, as vacinas, as máquinas, as construções e quase tudo criado pelo homem.
Imagine a reação da sociedade ao ver Santos Dumont tentando decolar um avião. Ou então os navegadores tentando provar que a terra era redonda, ou que o sol não girava em torno da terra, mas a terra que girava em torno do sol.
Tudo de útil e necessário que eu conheço um dia já foi utópico e é isso que me anima para acreditar em um futuro melhor para a nossa sociedade, pois seria ótimo (e utópico) ter uma sociedade onde todos tivessem direito a educação de qualidade, a saúde de qualidade, a boa alimentação, bom saneamento básico, segurança de qualidade, trânsito de qualidade. Enfim, uma sociedade realmente tolerável.
Acho um absurdo tomarem como modelos de sociedade os países capitalistas desenvolvidos, pois para mim uma sociedade perfeita não possui a sua população alienada. Nestas sociedades as pessoas não valorizam a família, o sol, o meio ambiente, uma risada com os amigos, ou até mesmo um abraço de mãe, pois é tudo tão instável nas cabeças das pessoas que qualquer relação pode ser desfeita em um minuto.
Tudo o que eles querem, ou não querem mas devem fazer, é consumir cada vez mais.E é absurdo criar um mundo movido pelo consumo, pois é algo que não existe um fim.
Para mim uma sociedade perfeita (e utópica) seria com pessoas felizes, que valorizassem o homem, que amassem a natureza, que respeitassem a família e que ansiassem por conhecimento e não por objetos.
Não sei se um dia teremos um mundo perfeito, ou no mínimo um país perfeito, mas é bem previsível dizer o que acontecerá se continuarmos a trilhar o mesmo caminho, no qual não existe uma sociedade, mas sim a individualidade. E pode ter certeza de que a individualidade não é perfeita.
Imagine uma criança crescendo sozinha, em um mundo completamente separado das outras pessoas. Ela simplesmente não teria experiências o suficiente para se tornar uma pessoa exemplar, pois como ela aprenderia sobre educação, sobre bons modos, sobre respeito, sobre amor ou sobre família?
Porém é isso que têm acontecido com o nosso mundo.
As pessoas não convivem. Elas apenas vivem suas próprias realidades.
Mas no fim do túnel existe uma luz, e essa luz se chama utopia, com toda a sua subjetividade e imprevisibilidade ela ainda nos trás esperança de que um dia possamos alcançar a tal sociedade ideal.
Viva a Utopia.

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Lenon Mendes às [09:16]
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Domingo, 26 de Abril de 2009

A Incerteza de ser Ninguém

Às vezes acho que não sou ninguém, às vezes acho que sou tudo. Mas na verdade nunca tenho certeza de nada.
Não sei se eu tenho gosto próprio, não sei se eu gosto do perfume que eu uso, não sei se eu gosto da comida que eu como e muito menos das pessoas com quem convivo.
Tudo é incerteza.

Acordo, tomo o café da manhã e ligo a TV. Na verdade eu acho que nem gosto de tomar café da manhã e muito menos de assistir o jornal de manhã. Talvez eu prefira dormir um pouco mais.

Vou para o meu trabalho de carro, no horário do almoço como em um restaurante perto do trabalho e sou bem remunerado. Trabalho em uma sala branca, no alto de um prédio, com uma enorme vidraça atrás da minha cadeira, rodeado por milhões de pessoas, mas tudo o que eu sinto é o ar gélido do ar condicionado e o barulho da cadeira de couro. Não sei ao certo se eu gosto do meu emprego. Pode ser que eu prefira um trabalho mais humano, menos remunerado e sem ar condicionado.

Ao chegar em casa às vezes beijo minha mulher e abraço meus filhos e às vezes simplesmente digo um boa noite.

Meus filhos estudam em um colégio bom e terei dinheiro suficiente para que eles tenham um grande futuro, mas talvez eles não precisem de um pai que dê dinheiro e presentes, mas de um pai que dê amor.

Às vezes eu tenho vontade de queimar os meus cartões de crédito e tudo o que eu preciso é de um lugar sossegado no qual eu possa sentar, encostar a minha cabeça e ficar olhando para o teto.

Mas em outras situações as coisas mudam, principalmente quando entro em uma loja de informática. Nessa situação eu simplesmente não resisto e provavelmente não estaria contente nem com todo o dinheiro do mundo, mesmo sabendo que quase tudo o que eu compro é inútil.

Assisto jogos de futebol duas vezes por semana, programas de auditório aos finais de semana, filmes sempre que puder e de vez em quando tento ler um livro, que acaba sendo um fracasso, mas mesmo assim, talvez que eu prefira ler um livro a assistir TV.

Enfim, talvez esse seja eu. Um homem que pensa pouco, que age muito e que não faz a menor idéia de quem é, pois toda vez que eu tento ser eu mesmo eu vejo que por mais que o mundo esteja egoísta e individualizado, ainda não há espaço para eu ser apenas eu.

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Lenon Mendes às [16:32]
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Terça-feira, 21 de Abril de 2009

Sou um ET

Cheguei a conclusão de que eu devo ter vindo de uma cápsula do futuro ou talvez tenha sido abandonado na terra por extra-terrestres (que a Fátima me perdoe!).

Mas como eu cheguei às essas mirabolantes idéias? Simplesmente pelo fato de eu não conseguir entender algumas coisas que se passam no nosso mundo e na nossa sociedade.

Por exemplo:

Como eu posso entender o preconceito, a discriminação, a ganancia, o ódio, a cobiça e a insensatez?

É bem provável que eu realmente não pertença a essa sociedade. Afinal eu olho ao meu redor, vejo todos contentes, falando sobre o final da novela ou então sobre o campeonato de futebol, sem se darem ao luxo de se preocupar com a desigualdade social,a destruição do nosso planeta ou até mesmo sobre o fato do consumismo inconsequente estar levando a nossa sociedade à extinção.

Outra coisa que eu não entendo é o que as pessoas fazem com os seus corpos e eu não estou falando de tatuagens ou piercing, ou mesmo da mania que está virando fazer academia ; é como se existisse um slogan “Ganhe massa muscular e perca seu cérebro”. Mas estou falando da maneira com que as pessoas se alimentam. É realmente repugnante. E eu não estou dizendo isso pelo fato de ser vegetariano, mas pelo fato de que é necessário ter no mínimo a noção do que você está colocando no seu corpo. Afinal seu corpo é você, e acredito que você não gostaria de ser um monte de lixo.

E outra coisa que também não “entra na minha cabeça” é o preconceito. Preconceito para mim é uma enorme incógnita. Ainda mais quando vem de pessoas que acreditam em Deus, afinal se Deus é nosso pai, nós somos todos irmãos. Assim sendo, você é irmão de uma pessoa pobre, de um homossexual, de um político, de um aidético e não cabe a você dizer quem está certo ou errado.

Eu sempre ouvia um ditado que dizia o seguinte “ a família do outros está errada até que aconteça o mesmo na nossa família”. Mas os outros são nossa família.

E tem mais uma coisa também que me deixa um tanto quanto intrigado; A vida. E eu não estou falando na vida como ela tem que ser, mas na vida como ela está sendo. Até parece que ela foi automatizada em uma esteira de uma fábrica.

Acha loucura? Bom... para mim loucura é todas as pessoas fazerem as mesmas coisas, comerem os mesmos lixos, vestirem os mesmo trapos, ouvirem os mesmos ruídos e pensarem da mesma maneira, é claro.

Quer fazer o teste? Imagine a vida de alguém e provavelmente ela se encaixará na maioria dessas etapas = Nascer, Estudar, Trabalhar, Casar, Filhos, Educar os Filhos, Morrer (principalmente morrer). Mas o que há de errado com elas? Bom, para mim, como extraterrestre abandonado na terra, eu acho que mais importante do que deixar uma geração, é deixar uma geração com sabedoria, com instruções que sejam úteis para o mundo e não apenas mais uma geração para cumprir o mesmo ciclo.

Não é mais do que nosso dever deixar algum legado que seja importante para o futuro da nossa sociedade, ou caso contrário para quê estaríamos aqui na terra? Para comermos lixo, julgarmos os outros e ser igual a todo mundo é que não foi.

Ufa! Acho que chega por hoje ou então vão me deportar para o meu planeta de origem.

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Lenon Mendes às [14:22]
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Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

De volta as sinápses... (depois das férias)


Dúvidas relacionadas à história da humanidade, o tamanho do universo ou o aquecimento global perderam a sua magnitude desde quando fomos iniciados nos tratamentos de choques que nos fazem conhecer o mundo inteiro com exceção a nós mesmos.


Do que adianta sabermos sobre física, química, matemática, biologia, quando nem conseguimos dizer o tipo de música que gostamos. Ou se realmente gostamos de algo, o porquê de gostarmos.


É tão difícil ser alguém quando o mundo nos exige que sejamos tudo. Ele quer que aprendamos inglês, que conheçamos sobre política, que saibamos como anda a guerra de Israel e Palestina, que tenhamos muito dinheiro, um carro, uma casa, e por fim uma família para que possamos continuar este ciclo dos horrores.


Mas o que me deixa mais assustado é a maneira como somos obrigados a participar deste labirinto sem fim. Imagine a minha reação aos 17 anos ser impulsionado a escolher o futuro da minha vida inteira. Simplesmente de desespero!


E não há nada mais cruel do que perguntar a um jovem para qual curso ele irá prestar, ou o que ele pretende ser. É como se disséssemos que ele não é nada.


Imagine deixar a vida seguir o seu rumo naturalmente sem que a sociedade exija que continuemos o “ciclo”. Isso seria considerado um verdadeiro absurdo.


Pessoas felizes, fazendo o que gostam, lendo o que gostam, ouvindo o que gostam, comendo o que gostam, acreditando no que quiserem, conhecendo quem quiserem e seguindo a única responsabilidade de serem felizes.


Seria uma sociedade considerada totalmente louca, não importando o que você quer ser, mas o que você é.


Estamos passando a vida inteira esperando o futuro e nos esquecendo de apreciar e viver o que realmente importa: o Presente.


O amanhã não existe, então como você pode esperar algo de que não existe. É como acreditar em Papai Noel, mesmo sabendo que ele não existe.


A única coisa a se fazer é se conhecer e saber como quer viver o seu presente, pois é a maneira com que você vive o seu presente que vai traçar o seu futuro. E eu não estou dizendo para sentar e esperar que aconteça, mas para reagir da melhor maneira as situações que ocorrem com você, pois tudo depende da maneira como você interpreta o agora.


Bom... Talvez eu seja jovem de mais para dar lições sobre como viver a vida, mas a única coisa que eu sei é que um dia pode ser tarde de mais para ser você mesmo e fazer as coisas que você gosta.



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Lenon Mendes às [09:22]
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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

A Palmatória Ainda Existe

Toca o sinal, o professor entra na sala de aula e aguarda os alunos fazerem silêncio. Se não o fizerem, grita e os humilha até que ele seja o único detentor do poder da palavra.

Como se fosse uma figura dogmática, o professor dita as regras e o conhecimento aos alunos, sem perceber que seus alunos não são máquinas, não são iguais e muito menos ignorantes.

Os alunos são figuras singulares, com objetivos diferentes, interesses diferentes, porém com imposições iguais. Imposições estas que fazem com que os mesmos passem a vida inteira controlados por regras e figuras dogmáticas e inquestionáveis, como o chefe, o professor e até mesmo a sua família.

Afinal, tudo tem que ser como sempre foi, ou o mundo entra em colápso devido a ignorância forjada na cabeça das pessoas.

E com o tempo a vida passa, e a sala de casa se torna a sala de aula, que se torna um local de trabalho, que também dará origem a outra sala de outra casa, com as mesma imposições e pensamentos.

Mas destas tantas salas, a principal responsável por esse retardo evolutivo do pensamento humano é a sala de aula, pois nestas os alunos são domesticados a se comportarem como "gente".

Visualize um pouco : Quando você entra em uma sala de aula, o que você vê?

Eu vejo vários ouvidos separados a dois metros de distância e enfileirados, para que suas bocas não interrompam o som do autoritarismo, enquanto o conhecimento lhes é transmitido através de textos rascunhados em um quadro negro, de palavras que possuem significados diversificados a todas as pessoas e de gestos meticulosos, como substituição da palmatória, espancando a capacidade de argumentação e raciocínio próprio dos alunos.

Será que ninguém percebe que conhecimento não é imposto e muito menos transmitido?

Conhecimento é proporcionado através de ações e estímulos que façam com que o aprendiz tenha a capacidade de julgar se o é necessário ou não. Se o for, que o professor, não como ditador dos pensamentos, mas como ajudante na busca pelo conhecimento, deve caminhar junto com o aluno, proporcionando situações que façam com que o aluno tire as suas próprias conclusões.

O que eu proponho não é o construtivismo desvairado, que deixa que o aluno faça o que bem intender, quando bem intender. Mas uma educação feita não somente para o aluno, mas para o aluno e o professor, pois nenhum dos dois é detentor de todo o conhecimento.

É necessário que ao iniciar cada busca pelo conhecimento, o professor e o aluno "troquem as suas figurinhas" sobre o saber buscado, estimulando assim o aluno, que vê o tamanho da sua ignorância e o professor que percebe o tamanho da sua responsabilidade.

E só assim, quem sabe um dia, será possível ver um mundo onde as pessoas saberão as consequências de seus atos, porque seus atos não serão imposições, mas serão escolhas.

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Lenon Mendes às [15:53]
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